Exposição Sapatórias

Estudei na UTFPR enquanto ainda era o famoso CEFET-PR, lá no início dos anos 2000. Durante a graduação a instituição acabou se tornando a primeira Universidade Tecnológica do Brasil.

E… nessas idas e vindas, acabei vindo parar na área da moda, onde sempre tive uma maior identificação e por conta do blog, a Professora Marilzete Basso do Nascimento, com quem tive aula de projeto, entrou em contato. Por uma grata surpresa, soube que hoje a instituição oferece para toda a comunidade um curso de cerâmica, que a cada semestre, após um braimstorm decidem um tema e dessa vez o tema escolhido foi o calçado.

No dia 23 de setembro foi aberta a exposição, chamada SAPATÓRIAS, em comemoração aos 107 anos da UTFPR. Lã estão expostos os trabalhos de todos os participantes do curso, um breve vídeo destacando como foi todo o processo de produção dos calçados/esculturas, as fôrmas em que foram feitos os trabalhos, as tentativas e erros que sempre fazem parte do processo de aprendizagem.

Vale parar para analisar durante a visita à visita, o quanto cada sapato ficou realístico e a possibilidade de estudos volumétricos que só a argila permite, tudo é praticamente igual a produção de um calçado real, porém trabalhando com outro material.

Os calçados/esculturas apresentados estão super bem elaborados, com um cuidado incrível, uma verdadeira obra de arte cheia de histórias.

A exposição vai até o dia 14 de outubro no pátio central da UTFPR, aberta ao público e a entrada é gratuita.

Vale a pena ir visitar!

Irreverência e Trabalho Autoral

Já falei por aqui muitas vezes sobre o trabalho de designers de calçados que tem um trabalho autoral, que pode se destacar por infinitas maneiras, seja pelo uso de materiais diferenciados, seja pelo público específico (vegans ou cantores sertanejos, por exemplo), enfim pode ser pelas mais diferentes características.

Portanto, hoje é a vez de falar sobre a irreverência, ou seja, a ousadia, a contestação pelo estilo comum dos calçados ou o tom mais bem humorado, e assim, muitas vezes estes ganham uma identidade única e tornam-se obra de arte.

Este olhar especial, contestador e atípico pode ocorrer das mais diversas maneiras, Sophia Webster, por exemplo, chama a atenção por um trabalho sempre vibrante, delicado e feminino, tudo ao mesmo tempo. Já que em todas as suas coleções os motivos saem absolutamente do esperado, do lugar comum, o design dos saltos, o acréscimo de elementos, como a asa (na imagem), que sugere a ideia, de uma mulher livre e ao mesmo tempo a beleza das borboletas e suas cores.

Já Jeremy Scoot é famoso por seus trabalhos de co-branding com grandes marcas, como Mosquino e Adidas, nessa coleção desenvolvida para a marca de tênis (observe a imagem), tem todo um conceito de street wear,  mas também se sobressai o uso de materiais não convencionais aos tênis, com motivos em animal print e o grande destaque para ponto focal do detalhe escultural de calda.

Outra designer que chama a atenção para seu trabalho sempre irreverente é Charlotte Olympia, ela se caracteriza por um estilo único, que ganha um atrativo de obra de arte, tudo sempre numa vibe old school, que remete aos anos 20, resultando em calçados diferentes, como o calçado com forte referencia a cultura chinesa (observe a imagem).

É importante ressaltar, é claro, que nenhum destes calçado foi pensado para ser usado no dia a dia, mas sugere uma interessante reflexão do quanto um calçado é transformado de ideias, questionamentos e considerado obra de arte. O quanto este artefato pode ser responsável por ser o ponto focal da produção, ser o que dará a identidade única e diferenciadora, com um design escultural e acima de tudo, arrisco dizer, o quanto seria divertido se as pessoas se arriscassem mais na hora de montar sua produção, enchendo o look de cores, tons alegres e marcantes.

E você já pensou sobre o assunto? Comenta aqui!

Trabalho autoral e Identidade

Semana passada começamos a falar aqui sobre o que define um trabalho autoral, lembra?! Pois bem, hoje continuamos!

Um trabalho autoral é definido das mais diversas maneiras, em geral ele deve ter uma identidade própria. O que faz daquele calçado ser diferente? Destaca-se dos demais?

Isso é construído de acordo com o estilo de trabalho do designer de calçados e também, de certa forma, conforme seu público alvo.

O designer que desenvolve um trabalho autoral precisa criar um trabalho com originalidade. Isso pode vir nas modelagens, nas cores, nos materiais, mas também pode se apresentar como algo que seja o seu diferencial, uma característica que sempre se faça presente nas coleções.

É importante citar que quem tem um trabalho autoral, não significa necessariamente, que tenha um trabalho sem informação de moda. Muitas vezes, estes designer preferem oferecer  um produto com ares de exclusivo, que tenha uma carinha de obra de arte, como algo que dificilmente irá encontrar igual pelas ruas. Porém, também há outros designers que gostam de usar informação de moda e mesclam tudo isso, oferecendo assim, um produto com informação de moda, seja pelas cores presentes na coleção, pelo design, modelagem e materiais daquela estação. Tudo irá depender do caminho que o designer preferir  trabalhar.

Exemplo dessa vertente de trabalhos autorais são as marcas Juliana Bicudo, com uma pegada de design retrô e ao mesmo tempo, antenada com a tendência metalizada do momento. Já a Laiá Shoes chama a atenção pela comunicação visual, suas composições de fotos e cartela de cores sempre num mood muito bem coordenado, formam uma identidade única. A Insecta Shoes privilegia seu público vegan, com a preocupação pelo uso de materiais que conversem com este estilo. E  finalmente, a Masqué por Adriana Cardoso revelando um design mais exclusivo e com trabalho artesanal de seus produtos.

Todos estes fatores citados são usados como agregadores de valor, tornam os calçados diferentes e donos de uma unidade visual muito próprias, revelando por consequencia o estilo de trabalho destas marcas/designers.

E você que pensa sobre trabalho autoral?

Conta aqui! Vamos conversar!

Já pensou num sapato que vem numa caixinha?

Recentemente conheci o projeto Inclusivo, liderado por um designer gráfico chileno, chamado Rodrigo Alonso Schram. A ideia se destaca pelo processo e pela criatividade. Em linhas gerais trata-se de um projeto que quer trazer dignidade e foco sustentável para comunidades carentes do Chile, de modo inclusivo.

 

Neste trabalho coletivo, que envolveu empresas interessadas e designers foi desenvolvido uma linha de calçados com design agregado e baixo grau de especialização de quem os produzisse. O grande diferencial era para que pudesse ser vendido em embalagens compactas, ocupando o mínimo possível de espaço em malas e armários, por exemplo.

O produto vem completamente desmontado dentro das caixinhas, a ideia é que você mesmo monte o seu calçado, como se fosse um quebra cabeças, unidos através de zípers.  São diversos modelos e eles inclusive podem ser associados uns com outros, misturando peças de diferentes pares. Tudo é feito de modo super individualizado, cada par, é finalizado com as iniciais de quem ajudou a produzir. Não é incrível?

Ficou interessado em mais informações?

Clica aqui para ver o site da Armo!

É chegada a hora: a produção do calçado

Chegamos até aqui!

O processo de desenvolvimento de uma coleção de calçados,  independente de ser uma equipe de designers que trabalha para uma indústria ou um designer que trabalha de modo autoral o trabalho é semelhante. Ocorreram pesquisas, buscando conhecer melhor seu público alvo, a estação para a qual está desenvolvendo sua coleção, de onde foi tirada sua inspiração, o conceito, enfim as diversas e fundamentais etapas que já comentei por aqui.

Após todas estas fases indispensáveis serem realizadas, a peça piloto do modelo eleito foi confeccionada, para que mais tarde seja de fato produzida. É chegada então, a hora de ver aquele calçado desenhado, ser fabricado para que então; cheguem as lojas e possam ser comercializados.

Quer entender melhor tudo isso? Neste vídeo dá para você entender todos os passos que já comentamos em posts anteriores, tudo isso com uma narrativa elaborada e cuidadosa sobre este passo a passo, é uma espécie de resumão de tudo. Clica pra ver! 

Neste momento você já aprendeu e descobriu uma porção de coisas, seu repertório já é bem vasto sobre as etapas de desenvolvimento de uma coleção de calçados. Sabe que produzir um calçado é algo super minucioso, exige muita atenção.

Para que você possa entender um pouco mais de como acontece a produção de um calçado, escolhi este vídeo da famosa e tradicional marca italiana Ferragamo. É possível perceber todas as etapas de fabricação de um scarpin vermelho, desde a etapa de molde até o produto ir para a caixa. Assista! Você vai se encantar!

 

Uma coisa interessante é o fato de que; por mais que atualmente se fale tanto em produção em larga escala, que se discuta muito sobre a qualidade dos calçados vendidos para a grande massa a em detrimento de preços mais acessíveis, ou em contra partida, que se destaque todo o trabalho artesanal de marcas reconhecidas justamente por este cuidado, entretanto não sendo tão acessível para o restante das pessoas. Uma coisa é fato, seja como for, os calçados ainda passam indispensavelmente pelas mãos das pessoas, ou seja são resultado de trabalhos manuais/artesanais. Muitas etapas de fabricação dos calçados não podem ser substituídos por máquinas. Talvez aí, esteja todo este encanto por um ofício tão antigo e ao mesmo tempo tão fascinante que é a fabricação e o desenvolvimento de um calçado.

Vale a reflexão!

Geração de Alternativas

A essa altura do campeonato você já deve estar acompanhando todos os posts sobre desenvolvimento e planejamento de coleção, ter uma breve ideia de como funciona a rotina profissional de um designer de calçados, não é mesmo?!
Depois de você já estar por dentro de como funcionam todas as etapas de desenvolvimento e planejamento de uma coleção, você já deve ter muito claro em mente:

  • como é seu público alvo?

  • de onde tirou inspiração?

  • qual é o tema conceito para sua coleção?

  • cartela de cores e materiais.

Então, chegou finalmente o momento de explorar ao máximo as possibilidades, ou seja, agora sim DESENHE.
Anteriormente, já falei sobre como aprender a desenhar e tentei explicar ao máximo esta etapa tão importante.
Dentro de toda a rotina profissional, o trabalho de um designer ou equipe de designers, agora é o momento de unir todas essas informações, começar a dar forma em tudo que já sabe e pesquisou. Colocar a mão na massa e desenhar de verdade!

Geração de alternativas

Portanto é a hora que você mais vai desenhar, explorando todas as possibilidades. Pensar na sua coleção como um todo, gerar muitas alternativas. Você deve pensar em:

  • quantos tipos de calçados sua coleção terá?

  • quais as modelagens a serem utilizadas?

  • tipos de saltos

  • estação para a qual esta desenvolvendo

  • materiais, cores etc.

Entretanto lembre-se sempre: toda a coleção deve formar uma unidade visual coesa, que se comunique com seu público e com o conceito que você criou.

Outra coisa super importante é que mais tarde, todos estes desenhos irão passar por um pente fino, uma seleção cuidadosa, para escolher os modelos que efetivamente serão confeccionados, para isso todos esses desenhos analisados, um por um. Nesta análise serão eleitos os que realmente serão fabricados, que então serão transferidos para fichas técnicas (vou falar disso mais tarde!), onde serão detalhadas todas as informações de cores e materiais que o calçados deverá ter.

Exemplo de anotações no desenho

Você provavelmente fará muitos, mas muitos desenhos mesmo, por isso, enquanto estiver desenvolvendo os desenhos, você já vai ter uma ideia de como deseja que o calçado seja em termos de materiais e aviamentos, por exemplo. Assim sendo, anote, escreva como achar mais conveniente, mas ESCREVA ao lado do desenho o que você idealiza.

Porque colega…. você não vai lembrar disso depois, na hora de fazer as fichas técnicas você já vai ter tanta informação em mente, que será praticamente impossível puxar na memória o que pensou antes. Levando tudo isso em consideração seu trabalho será muito mais ágil e eficiente.

Semana que vem o assunto continua!

Inspirações e o processo criativo de um designer de calçados

Já parou para pensar como é o processo criativo dos designers de calçados?

Esta é uma parte do desenvolvimento dos calçados fundamental, é o ponto de partida, onde tudo começa a ser pensado, para que a coleção tenha uma unidade visual coerente.

Atualmente toda essa etapa de criação é feita de maneiras bem diversificadas. Pois, após a escolha do tema da coleção, a inspiração são criados os desenhos, estes podem ser feitos da maneira tradicional, manualmente ou então das maneiras mais distintas, por colagens, por montagens ou por softwares de computador. A ideia é que estes desenhos, independente da maneira em que foram realizados é que sejam compreendidos pela equipe de produção.

Neste vídeo é possível perceber a maneira de criação de diferentes designers, entre eles Louboutin e Blahnik. É super interessante perceber a perspectiva de cada um deles, como trabalham no que acreditam e sua visão sobre o mundo da moda e dos calçados.

Assista o vídeo! É super esclarecedor para quem quer compreender um pouco mais sobre esta etapa tão fundamental de criação.

Kerrie Hess e Balletonet

Pesquisando diariamente conteúdos interessantes aqui para o blog fiquei meio na dúvida se este post deveria ser categoria “Mundo Manoletina” ou “Sapato é coisa séria!”, especialmente porque o vídeo é tão completinho enquanto conteúdo sobre processos de desenvolvimento criativo de um calçado. Mas, penso que vale também aqui.

Dito isso…
Acompanho pelo Instagram o trabalho de um artista australiana chamada Kerrie Hess, ela faz ilustrações para marcas renomadas como Chanel e Louis Vuitton. Ela tem todo um estilinho suave, meio candy color, é tudo extremamente delicado e suave.
Ela desenvolveu em parceria com a marca Ballettonet uma linha de sapatilhas, mega delicadas, que conversa bastante com o universo do Ballet clássico.

No vídeo abaixo é possível você conhecer o trabalho da Kerrie, ela mostra como criou todas as sapatilhas. Vale dar uma olhada, ela ilustrando os desenhos dos calçados, dá até vontade!

Lindo não é mesmo?

Dê seu comentário por aqui, quando quiser ok?! Amanhã tem mais!

Teste de Modelagem

Não é a primeira vez que fala-se neste espaço sobre os processos de fabricação dos calçados, mas sempre é valido recontar, e quanto mais estiver em linguagem coloquial melhor, né gente?!

Pois bem, esta é uma série, que estará nos 2 próximos posts também.

Fique atento, porque ele é muito interessante, ilustrativo, tudo é muito claro e explicadinho.

Nesta fase é demonstrado como começa a produção de um calçado, o teste e modelagem, após a criação do desenho. Assista para poder compreender melhor!

Processo produtivo

A Tabita é uma marca gaúcha de calçados que existe desde os anos 70, com um estilo super contemporâneo dos calçados e mostram, cada vez mais, uma preocupação em aliar conforto e design moderno aos produtos.

Neste vídeo é possível aprender um pouquinho sobre o processo de produção, do começo ao fim, passando pela fase criativa, modelagem até o controle de qualidade. É super rapidinho e vale a pena conhecer!